Sunday, July 02, 2006

Freguês (Brasil 0x1 França)

Estava tudo pronto. A seleção brasileira vinha de quatro vitórias em quatro jogos, dez gols marcados, Ronaldo quebrando o recorde de artilharia em Copas, o capitão Cafu quebrando o recorde de partidas jogadas pela seleção, o time alcançando o recorde de onze vitórias seguidas na competição (sete em 2002 e quatro em 2006), o zagueiro Lúcio sem cometer sequer uma falta nos quatro jogos...

Mas esses adversários eram verdadeiras potências: Croácia, Austrália e Japão na primeira fase e Gana nas oitavas-de-final. Nas quartas, enfim, um adversário de respeito: a França.

Que empatou contra Suíça e Coréia do Sul, venceu sem brilho Togo, na primeira fase. Nas oitavas, até jogou um bocadinho contra a Espanha, nos dez minutos finais.

Depois de um 5x2 brasileiro na semifinal em 58, uma vitória francesa nos pênaltis em 86 e uma goleada na final em 98, Brasil e França voltaram a disputar uma partida de Copa do Mundo em Frankfurt.

No inicio da partida, duas faltas cobradas por Juninho (uma na barreira e outra espalmada por Barthéz) e uma tentativa de finalização de calcanhar, em posição de impedimento, de Juan pareciam dar a idéia de que a seleção brasileira sairia para marcar um gol logo no início. Ledo engano.

As duas equipes com maior média de idade da Copa 2006 (Brasil com 29,4 e França com 31) procuraram esfriar o jogo nos primeiros minutos. Nesse ínterim, o quase aposentado Zidane começou a mostrar que a partida das quartas-de-final contra o Brasil dificilmente seria sua última.

Pelo lado brasileiro, Ronaldinho Gaúcho mais uma vez não conseguia brilhar, Kaká completamente desatento (será que a convulsão da vez foi dele?), Ronaldo mais uma vez isolado e os latifundiários Cafu e Roberto Carlos mais uma vez se mostrando incapazes de apoiar o ataque ou marcar. O mínimo que se espera de um lateral.

Crescendo em campo, a França foi ocupando espaços e começando a criar boas chances, seja numa falta cobrada por Zidane ou num chute por cima de Ribery. Noutra falta cobrada por Henry, a bola bate na mão de Ronaldo, dentro da área, mas o juiz não dá pênalti e sim outra falta que também não dá em nada. Na saída para o intervalo, a França já mandava no jogo.

Eis o que imagino que foi a conversa no vestiário:

Parreira (ou qualquer burocrata da CBF): -- Muito bem, continuem sem atacar, o time da França é velho e vai tropeçar nas próprias pernas. Lúcio, Juan e Dida, não se preocupem com o Henry que ele vive em impedimento. Além disso, o Zidane está a fim mesmo é de se aposentar e vai entregar o jogo no final.

Zagalo: -- Isso mesmo. Além do mais nos somos pentacampeões e eles... como é que se chama o time que é só uma vez campeão? Ah, monocampeões. Além disso, na única vez que eles jogaram com a gente, levaram de 5 a 2. O Pelé jogou muito naquele dia.

Ronaldo: -- Professor, mas eles não ganharam de 3 a 0 da gente na final em 1998 e você era o técnico? Aquele jogo que eu tive uma tal de convulsão.

Zagallo: -- Heeeeeeeeéin? Alguém pegue a camisa de Zidane para mim.

Parreira: -- Zagalo, eu já disse ela é minha.

Volta o segundo tempo e a historia não muda. Com um minuto, Henry já está na área brasileira cabeceando com perigo. Aos oito, tentando tocar de calcanhar para Vieira, com Juan cortando para a linha de fundo. Um minuto depois, balançando as redes, mas em impedimento bem marcado. Fim do ensaio.

Aos doze minutos, Zidane tem uma falta para cobrar pela esquerda do ataque francês. Do outro lado, está Roberto Carlos ajeitando a meia na hora da cobrança tendo ao seu lado uma linha de impedimento estática. Zidane manda na área e o camisa doze Henry, aquele que vive em impedimento, chega sozinho para tocar de primeira para o fundo das redes, esbanjando categoria.

Cinco minutos depois, Ribery se livra de Lúcio na linha de fundo e cruza para área. Zidane, que aquela altura já era o melhor da partida, não se estica para marcar o gol que liquidaria o jogo de vez.

Logo depois o técnico Parreira faz a primeira substituição: Juninho Pernambucano, boicotado pelos colegas no campo sai para a entrada de Adriano, reeditando o espetacular “quadrado mágico” original. Alteração equivocada e inútil.

Aos 26 minutos, Henry recebe livre pela direita do ataque e toca no meio para Ribery, que só não amplia o placar graças a um milagre de Dida.

Faltando menos de quinze minutos par o fim do jogo, Parreira faz as alterações que deveria ter feito no intervalo: Cafu e Kaká saem para as entradas de Cicinho e Cafu.
A esta altura, Zidane já tinha dado um chapéu em Ronaldo e tocado de cabeça. Uma imagem pra lá de emblemática.

A disposição tática dos franceses anula qualquer tentativa de jogo dos brasileiros, que só chuta pela primeira vez com Robinho aos 36 minutos (!) da etapa final. Mesmo assim, a bola passou longe. Ronaldinho também tentou salvar-se do vexame cobrando uma falta que passou por cima do gol.

Chute no gol (o único do Brasil em todo o jogo) só veio nos descontos, com Ronaldo. Cicinho ainda fez dois bons cruzamentos, não aproveitados. Muito pouco.

Quem será que ficou com a camisa de Zidane depois do jogo? Haverá mudança no comando técnico? Quem será o próximo treinador do Brasil?

Será que vai haver mesmo mudança, uma vez que Parreira e Zagalo são os tabacudos que qualquer Confederação Nacional de Futebol gostaria ter. Não se metem nos negócios da entidade e até arrumam uns atletas para completar a lista, já que o filho de Zagalo mexe com isso...

Pois é, Brasil hexacampeão só em 2010 na África do Sul. Mas antes, eliminatórias. Imaginem o seguinte cenário: copa na África sem o Brasil entre os participantes. Nunca se sabe, mas aí também já é demais...

7 Comments:

At Sunday, 02 July, 2006, Blogger Felipe Melo said...

Maurício porra,

Esperei ansiosamente pelo post sobre o jogo do Brasil, esperava um enxovalhada digna de um mostro. Queria que tu botaste mais pra fuder porra, que chamasse aquele time de covarde, Parreira de burro, Zagalo de imbecil, Roberto Carlos de merda, Cafu véio gagá... sei lá.
Acho que eu queria mesmo era dizer tudo isso na cara deles. Mandar Ronaldo Skol enfiar meio milhão no cu e chamar a todos de filhos da puta sem vergonha e frouxo. Timinho sem raza!
Desculpa aí Maurício, estou meio nervoso.

 
At Sunday, 02 July, 2006, Blogger Maurício Targino said...

Felipe,

Quando jogo acabou, não consegui sentir raiva. É muito ruim dizer "eu já sabia" quando seu time perde de forma tão previsível quanto o futebol. E quando idiotas te falam "pra que se importar com futebol, aqueles sacanas enchendo o rabo de dinheiro..." desta vez escancarou-se. Não existe jogo comprado quando se tem vontade de jogar. Vontade de vencer. Angola e Togo é que vao lá pra competir, nós queremos ganhar. Escrevi da forma mais previsível como que uma forma de representar esse desfecho melancólico para uma geração que julgávamos talentosa e/ou vitoriosa. Os erros na preparação foram mostrados ao mundo inteiro. Na Copa mais bem documentada da história, o papel de palhaços no grande circo do futebol ficou conosco, de novo. E contra os franceses, aquele povo estranho que acha Raí um grande craque.
Durante esta melancólica semana final da Copa, prometo escrever mais profunda e visceralmente sobre o tema. Depois do jogo, naquela sábado chuvoso de primeiro de julho, eu só quis beber. No dia seguinte, estou respondendo seu comentário e até agora fico sem entender como é que tudo pode continuar. Penso nos brasileiros com menos de 20 anos, que não viram ou não lembram quando Maradona e Canniggia derrubaram "Os Canhões de Lazaroni", em 1990. Se eles gostarem um pouqinho de futebol, certamente tiveram um trauma para a vida inteira. Pra nós, macacos velhos, é necessário se convencer de que a vida, ao contrário de uma partida de futebol, continua.

Está cada dia mais difícil ter paixão pelo futebol. Era melhor ser uruguaio, que pode dizer por toda a eternidade que venceu uma Copa diante do maior público reunido numa partida de futebol, e com a torcida contra. Ser penta, grande MERDA. Em 2010, já pode ter outro.

 
At Monday, 03 July, 2006, Anonymous thaís said...

repito: hexacampeão, só mesmo o glorioso clube náutico capibaribe!!!

- felipe, o jogo de sábado é o tipo de acontecimento que não merece um comentário muito exaltado, senão fica brega... todo mundo já teve raiva demais pra ter que ler a raiva dos outros (outros sendo os jornalistas, não os leitores, como eu e vc).

- e maus, não tinha notado o detalhe de roberto carlos ajeitando a meia na hora do gol... é o retrato da seleção né? vaidade acima de tudo!!! zagalo é mesmo um imbecil e parrera é um orgulhoso filho da puta que quis manter aquela merda de time até quase o final.

saudações alvirrubras de alguém que nem sentiu muito a derrota da seleção... afinal, já sou hexa mesmo né??? kkkkkkkkkk.

 
At Monday, 03 July, 2006, Blogger Maurício Targino said...

Thaís, hexa é teu avô. Só acredito no que meus olhos vêem. Existem imagens do hexa do Náutico? Eu mesmo nunca vi no Globo Esporte.

 
At Monday, 03 July, 2006, Anonymous Ruy Paulo said...

pensem no lado bom. a corja do zagalo vai embora. cafu e roberto carlos se aposentarão. haverá uma renovação. luxa será o treinador. rumo a africa (minha presença mais do que 100% confirmada)

 
At Monday, 03 July, 2006, Blogger Maurício Targino said...

Ruy,

ja pensasse, uma Copa na Africa sem o Brasil?

 
At Monday, 03 July, 2006, Anonymous Ruy Paulo said...

vc se lembra do jogo contra o haiti? o amor deles por nós é +- igual

 

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